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Autarcas criticam atrasos na aprovação
das candidaturas aos caminhos agrícolas
Autarcas lamentam que as candidaturas apresentadas ao PRODER para os caminhos agrícolas ainda não tenham sido aprovadas. O governador civil de Viseu admite o atraso e receia que muitas das candidaturas não venham a ser aprovadas por falta de dotação financeira. Miguel Ginestal afirma, contudo, que a tutela está a ajustar o processo às reais necessidades
As juntas de freguesia do concelho ainda aguardam pela aprovação das candidaturas aos caminhos agrícolas, lamentando que o Governo tenha este processo atrasado. Numa altura em que os fogos consomem as matas, os autarcas recordam a importância que os caminhos têm no acesso dos bombeiros aos locais de incêndios. Criticam ainda o "desleixo" da Administração Central relativamente à floresta. "As candidaturas foram apresentadas e, até agora, não temos resposta nenhuma sobre este processo. Está tudo atrasado e não sabemos se as candidaturas vão ou não ser aprovadas", lamentou o presidente da Junta de Freguesia de Vila Chã de Sá. José Ernesto, que no início desta semana assistiu à destruição pelas chamas de parte da floresta da sua freguesia, lamentou que uma das dificuldades dos bombeiros em chegar aos locais do fogo foi, precisamente, os difíceis acessos. Na sua opinião, os caminhos agrícolas e rurais são essenciais não só para quem necessita deles no seu dia-a-dia, mas, "essencialmente para os bombeiros nesta altura do ano". Uma opinião partilhada pelo colega de Cepões que critica também o "desleixo" a que a Administração Central votou a floresta. "Os caminhos estão intransitáveis e tomára-mos nós que nos dessem as verbas que nós arranjávamos pessoal para fazer o trabalho de limpeza", sustentou Amaro Carreira. O autarca considera ser "um crime" que uma matéria tão sensível esteja a ser tratada com "indiferença", receando que uma "catástrofe" venha dar razão às reivindicações das juntas de freguesia relativamente às candidaturas. Para Amaro Carreira, as "catástrofes a que estamos a assistir devem-se à falta da floresta limpa", mas também à falta de prevenção. Na sua opinião, as casas dos guardas eram "essenciais" na vigilância. "Foi um crime terem deixado cair as casas dos guardas florestais porque eles tinham uma grande responsabilidade na prevenção", lembrou.
Governo admite atrasos Quase seis meses depois de terem sido apresentadas as candidaturas para "caminhos agrícolas" ainda não há uma resposta por parte da Tutela. O governador civil de Viseu admite que este é um processo que está atrasado, lembrando, no entanto, que o Ministério da Agricultura está atento. "Esta é uma preocupação que já manifestei ao senhor ministro que está disponível para ajustar o PRODER às reais necessidades", anunciou. Ginestal assumiu que as preocupações dos autarcas são "legítimas" e que as tem feito chegar a quem de direito. Miguel Ginestal recordou que, a nível nacional, a dotação orçamental para construção e a requalificação de caminhos agrícolas para utilização pública é de 18 milhões de euros, enquanto que foram apresentadas candidaturas no valor de 750 milhões. "É necessário pedir uma maior dotação porque com esta execução financeira muitas candidaturas não vão ser aprovadas", receou. Também os deputados do PS questionaram recentemente o Governo sobre esta matéria. Os socialistas lembraram que muitas freguesias do distrito de Viseu apresentaram candidaturas a esse programa, reconhecendo nele a oportunidade de promover o desenvolvimento regional nos seus territórios. "Volvidos vários meses, essas candidaturas não têm recebido por parte dos serviços competentes, qualquer desfecho", sustentaram, perguntando para quando vai haver uma decisão.
SR
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