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Quinta-feira, 29 de Julho 2010

 

 

Pessoas estão a defender-se do calor seguindo as recomendações dos médicos
"As pessoas estão a seguir as recomendações das Unidades de Saúde Familiar (USF) e dos centros de saúde, daí o facto de não terem sido assinalados problemas provocados pelas altas temperaturas que se têm feito sentir", garantiu ao nosso Jornal José Carlos Almeida, director executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACS) de Viseu

Referiu que foi feita publicidade preventiva ao nível das Unidades de Saúde Familiar e de Saúde Pública, pelo que "as pessoas sabem muito bem o que devem fazer para se prevenirem contra o calor".
É preciso não esquecer que ainda ontem (anteontem) tivemos uma temperatura máxima de 40 graus celsius, não tendo havido nenhum pedido de socorro devido à canícula, o que demonstra que a população está a seguir as recomendações dos médicos de família”.
Apesar de tudo estar a correr bem, nunca é demais relembrar as precauções a ter em dias de grande calor, segundo José Carlos Almeida: procurar lugares frescos; beber água e ter cuidado com as pessoas idosas, que desidratam facilmente.
Mas há mais: doentes com insuficiência cardíaca e respiratória e com outras doenças crónicas, são sempre um risco acrescido, pelo que interessa haver um cuidado acrescido.
"Já agora, para quem frequenta zonas balneares, convém evitar o Sol entre as 11 e as 16 horas, e mergulhar só tendo a certeza de que já se fez a digestão", acentuou. Caso isso não tenha acontecido, pode sempre salpicar-se a cara e as mãos para refrescar o corpo.
Em contacto com o Hospital de S. Teotónio, foi-nos dito pelo Departamento de Relações Públicas que "o afluxo ao Serviço de Urgência tem sido absolutamente normal para a época".
Em seu entender, "isso quer dizer que os cuidados primários de saúde encontram a funcionar, estando as pessoas a serem bem tratadas e recomendadas, e simultaneamente, a acolher os alertas da Direcção-Geral de Saúde e do Ministério da Saúde".
No tocante aos valores limiar de ozono, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C) revelou que eles foram excedidos, entre as 17h00 e as 18h00, nomeadamente em 14 concelhos do distrito de Viseu.
Os municípios afectados foram os de Carregal do Sal, Castro Daire, Mangualde, Mortágua , Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, São Pedro do Sul, Sátão, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu e Vouzela.

De acordo com as autoridades de saúde:
Mortos deverão ser mais de mil mas
sistema que os apuraria ainda não avançou

Apesar da situação estar a melhorar, as autoridades de saúde estimam que o calor provocou mil mortos desde finais de Abril, mas se a desmaterialização do certificado de óbito já estivesse em vigor, todas as vítimas das altas temperaturas seriam contabilizadas logo após a morte.
Previstos para final de 2008, os certificados de óbito electrónicos deverão entrar em vigor no início do próximo ano, disse ontem à agência Lusa o director geral da Saúde, Francisco George.
Nessa altura, acrescentou o subdirector da Saúde, José Robalo, as autoridades de saúde irão ter conhecimento de todas as mortes que ocorrem em Portugal, assim que o médico passe a certidão de óbito.
Actualmente, as autoridades de saúde, nomeadamente matemáticos e estatísticos do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), tentam apurar as mortes causadas pelo calor, comparando a mortalidade em períodos idênticos, mas sem altas temperaturas.
José Robalo explicou à Lusa que estes números só poderão ser confirmados daqui a algum tempo, assim como analisadas as causas das mortes.
Tempos e imprecisões que a desmaterialização do certificado de óbito - medida prevista no Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa (Simplex) - deverá reduzir.
Além da contabilização dos mortos ser praticamente em simultâneo à passagem da certidão de óbito, em poucas horas ou dias será possível analisar as causas da morte, como as altas temperaturas.
"Sempre que tivermos dúvidas sobre as causas da morte, podemos contactar o médico e esclarecer, por exemplo, se o óbito tem alguma relação com o calor", sublinhou José Robalo.
Segundo o subdirector geral da Saúde, a medida ainda não está em vigor porque se trata de um processo que exige fortes medidas de segurança.
"Não podemos permitir que qualquer pessoa passe uma certidão de óbito", disse.
Prevista no Simplex, a Desmaterialização do Certificado de Óbito visa possibilitar a emissão electrónica do certificado de óbito em todos os casos em que o falecimento se verifique em estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), onde ocorrem cerca de 75 por cento dos óbitos.
Para tal, foi criada "uma aplicação informática segura que o médico preencherá e enviará para as bases de dados centrais do Ministério da Saúde (Registo Nacional de Utente e Direcção Geral da Saúde) e do Ministério da Justiça (Instituto dos Registos e Notariado)". "Além de viabilizar a actualização permanente do Registo Nacional de Utentes do SNS, esta iniciativa possibilitará o tratamento, pela DGS, dos dados que permitirão a elaboração de estatísticas sobre causas de morte no país", lê-se no programa, que foi "desenhado para simplificar a vida dos cidadãos e das empresas".
 

 

 

Seia de Matos

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