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Segunda-feira, 26 de Julho 2010

 

 

Orfeão de Viseu promove angariação de fundos para construção de nova sede
O edifício do antigo Matadouro Municipal foi o local escolhido para a construção da nova sede do Orfeão de Viseu, um espaço privilegiado pelo seu contexto histórico - o edifício remonta a finais do século XIX - sendo a construção desta sede um aproveitamento do espaço que estava a degradar-se ano após ano, recuperando o património arquitectónico local

Depois de obtida a autorização por parte do executivo camarário, iniciaram-se as obras de um edifício que, segundo Vicente de Figueiredo, presidente do Orfeão de Viseu, "irá criar novas dinâmicas e um espaço para toda a comunidade".
A primeira fase da obra, que incluiu a recuperação do velho Matadouro Municipal na parte de toscos e reboco de paredes já se encontra concluída, assim como a cobertura do edifício e as paredes do segundo piso que suportam a mesma cobertura, que também já se encontram em fase de conclusão. Cerca de 400 mil euros foi o valor investido nesta primeira fase de construção, um valor obtido com a venda das antigas instalações, que já não possuíam condições de segurança para a prática das actividades desenvolvidas pelo Orfeão, sendo o resto oriundo do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), no âmbito da regeneração urbana, uma vez que o espaço envolvente ao Rio Pavia foi abrangido como zona de recuperação urbana.
Está agora em curso a segunda fase da obra, que incluiu a caixilharia e todos os acabamentos interiores, uma tarefa com a qual só será possível seguir com a colaboração de instituições públicas e privadas, empresas locais e agentes económicos da região. "Para prosseguirmos para a segunda fase precisamos de fundos, que neste momento não temos. Sendo um espaço direccionado para a comunidade, estamos a tentar envolver toda a comunidade, com diversas iniciativas de angariação de fundos para prosseguir com as obras", explica o presidente do Orfeão. "Precisamos, pelo menos, do mesmo valor que gastámos na primeira fase, sendo que tivemos que pagar 20 por cento de IVA", uma questão com a qual Vicente de Figueiredo não concorda uma vez que "é uma associação sem fins lucrativos que está a criar um espaço para a comunidade, não tem lógica nenhuma pagarmos 20 por cento de IVA", lamenta.

‘Orfeão com Futuro’
A campanha de sensibilização e de angariação de fundos, denominada ‘Orfeão com Futuro’ é dirigida à população de Viseu, envolvendo os vários grupos etários, sociais e profissionais e prolonga-se até Julho do próximo ano. O conjunto de iniciativas é dirigido aos autarcas do distrito, aos empresários, aos agentes económicos e aos diversos grupos profissionais, sócios e não sócios do Orfeão. É de salientar um ciclo de concertos e festivais de música, com a participação não só de grupos de música vocal e instrumental do concelho mas também com grandes orquestras nacionais e a grande gala do fado, com fadistas de renome nacional como convidados, estando também porta aberta para fadistas amadores da região que queiram mostrar o seu talento. Sorteios, rifas, o bazar do Orfeão, para venda de produtos de artesanato com a marca ‘Orfeão com Futuro’ e objectos relacionados com a actividade da instituição, jantares temáticos com animação, dirigidos a grupos profissionais diversificados, almoços e jantares de confraternização, bailes com animação permanente e prestação de serviços, recorrendo aos grupos em actividade no Orfeão, nomeadamente Grupo Coral, Grupo de Animação Litúrgica, Canto Novo, Grupo de Danças e Cantares e Grupo Cénico sendo os principais destinatários câmaras municipais, instituições de cultura e recreio e empresas organizadoras de eventos culturais. Fazem também parte do leque de iniciativas para angariação de fundos, alguns apoios institucionais, a angariação de novos associados e a criação da categoria de "Benemérito", sendo também criada uma conta na Caixa Geral de Depósitos para quem quiser dar o seu pequeno contributo. "O pouco que conseguirmos é muito para a construção", refere Vicente de Figueiredo.
A nível do primeiro piso, será construído um salão polivalente com duas alas laterais, destinadas a gabinetes, salas de ensaio, bibliotecas e serviços de apoio ao bar, estando o segundo piso reservado a mais um espaço polivalente em forma de abóbada, onde poderão ser desenvolvidas actividades diversificadas no domínio das artes, nomeadamente na dança clássica e contemporânea, conferências, debates e audições de música instrumental e vocal, entre outras.
Quando a obra estiver concluída, durante o período em que decorre a Feira de São Mateus, há ainda a possibilidade da organização de um programa complementar ao programa oficial da feira, estabelecendo uma ligação através da ponte pedonal que liga as margens do rio. De frisar ainda a construção de um auditório em anfiteatro no terreno fronteiriço à sede do Orfeão que, segundo Vicente de Figueiredo, "já será da responsabilidade da Câmara Municipal de Viseu".  

 

 

Cláudia Almeida

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