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Tribunal ouviu testemunhas sobre
papel de empresário canadiano
O nome "Timothy van Cain" foi ouvido por inúmeras vezes na sala de audiências do Tribunal de Mangualde, na passada sexta-feira, durante mais uma sessão do julgamento em que o luso-americano Allan Sharif, vários familiares, entre os quais o tio e vários primos, e um outro arguido estão acusados de vários crimes de burla, extorsão e branqueamento de capitais. O nome do indivíduo surgiu pela primeira vez quando vários dos réus, nomeadamente os primos do principal arguido, tentaram justificar inúmeros levantamentos feitos através dos serviços financeiros da "Western Union" e da "Moneygram" com a venda de uma quinta da qual é dono o tio de Allan Sharif, pelo menos terá sido essa a explicação que todos receberam por parte do pai. Timothy van Cain, um empresário canadiano que esteve em 2007 na região, terá sido o comprador, mas o negócio não chegou a concretizar-se porque não pagou o valor acordado. O dinheiro levantado era, alegadamente, proveniente de transferências feitas pelo empresário estrangeiro. No entanto, como não pagou tudo, a quinta ficou em nome do tio de Allan Sharif. O mesmo terá acontecido com, pelo menos, mais dois empresários da zona de Fornos de Algodres, que ontem foram ouvidos como testemunhas da defesa. Ambos explicaram que Timothy van Cain lhes foi apresentado por Allan Sharif que serviu também de intérprete nas conversações. Em ambos os casos, chegou a ser elaborado um contrato de promessa de compra e venda, no entanto, o negócio ficou por aí, porque o empresário nunca chegou a pagar o valor acordado. As testemunhas asseguraram ainda que o empresário apareceu em Fevereiro de 2007 e acabou por ir-se embora cerca de um mês depois. "Ainda o vi novamente no Verão desse ano e perguntei-lhe quando é que iria fechar o negócio e ele disse que estava a acertar pormenores. Nunca mais o vi", referiu uma das testemunhas. Nas negociações também terá estado presente Paulo Almeida, empresário de Fornos de Algodres, que ficou conhecido depois de ter sido detido em Miami, nos Estados Unidos da América, por assaltar um banco munido de um telemóvel que entregou a uma funcionária. Às autoridades explicou mais tarde que do outro lado da linha estaria Allan Sharif.
Burlas a partir de Torre de Tavares No que diz respeito aos crimes que estão em causa, as autoridades acusam Allan Sharif de, a partir de Torre de Tavares, Mangualde, ter burlado diversas entidades financeiras estrangeiras, fazendo-se passar por funcionário do sector informático. O suspeito terá ligado através de programas informáticos de conversação telefónica para empresas dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Dinamarca e Holanda, onde funcionavam serviços financeiros da "Western Union" e da "Moneygram". Começava por solicitar operações de reparação e, no final, pedia que fossem efectuadas "transferências de teste". Dessa forma terá conseguido amealhar quase 200 mil euros. O julgamento prossegue no próximo mês de Abril.
José Fonseca
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